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15 agosto 2007

Atenção para o toque de cinco segundos

Dando continuidade ao que o Rafael tratou ontem, e o que eu já contei há algum tempo aqui, quero falar hoje um pouco sobre o que a publicidade representa aos não-iniciados nela (leia-se: quem não é publicitário).

Podemos achar um anúncio sensacional, de uma direção de arte que é um primor, um slogan matador, mas, como dizia um professor da faculdade: ganha prêmio mas não vende uma geladeira. É um fato. Podemos morrer de paixão, sentir ciúmes e o diabo a quatro. Se o anúncio não conversar com o seu público, um abraço meu amigo. Vira motivo de chacota e piadinha na pior das hipóteses. Na melhor, ninguém presta atenção.

Posso mostrar um exemplo clássico. Quem ai já deu de cara com algum outdoor ou anúncio do Guaraná Dolly? Aquele mesmo “Dolly, Dolly Guaraná Dolly”.

Ok, o jingle virou musiquinha pejorativa (engole, engole guaraná…) e a direção de arte é pra lá de duvidosa, mas ele fala muito bem com o consumidor-alvo: comunicação simples e direta e vez ou outra alguma neo-estrela recém saida de algum reality show. Já ouvi dizer que quem cria os anúncios é o próprio dono da Dolly. Também, nessa mesma linha, temos o quase que mítico, “Quer Pagar Quanto?”, das Casas Bahia (o maior anunciante da TV brasileira. E adivinhem de quem é a conta - ele mesmo, Roberto “O Topete Inabalável” Justus) que gerou até processo por parte de um consumidor que levou muito a sério o que o comercial dizia.

Uma coisa é certa. Propaganda, anúncio, comercial, reclame, filme de 30″, chame do que você quiser, é chato por natureza. Cabe a nós publicitários fazer com que fique legal. O problema é quando fica legal demais e vira um dramalhão mexicano. O que vale aqui é o bom senso. E também aquela velha conversa: pergunta pro velhinho no ônibus o que ele acha de comercial tal, mostra o seu anúncio para a tia da kombi, pro vendedor de hot dog. E por ai vai. São essas as pessoas que vão dar o voto de minerva no seu tão precioso anúncio. Muitas vezes você vai achar que todos eles estão malucos, que não entendem nada de propaganda, que lhes falta senso estético. Oras, e nem devem ter nada disso, afinal, quem deve que ter isso de sobra é você! O que lhes resta é o senso crítico. E é esse que fará você evoluir profissionalmente.

Notinha nada a ver com o assunto

O São Paulo Futebol Clube foi campeão do 1º turno do Campeonato Brasileiro 2007. Levou o troféu Osmar Santos, concedido pelo jornal Lance! Um dado interessante, é que todo o time campeão do 1º turno, desde que o sistema de pontos corridos passou a valer no Campeonato, foi o vencedor do torneio. Acho que o Tricolor caminha para um Pentacampeonato sem asteriscos.

Um Abraços e até a semana que vem!

29 junho 2007

Desencannes

A coluna de quarta passada, na Casa do Galo:


Essas duas últimas semanas ferveram com notícias (e colunas) sobre o Cannes Lion’s ou Festival de Cannes, aqui em terras tupiniquins. O Brasil é sempre bem representado, desde a época que um tal de Washinton Olivetto (também conhecido como Golden Boy, na época) surgiu para a propaganda, como Pelé surgiu para o futebol.

Todos os anos, nossos talentosos publicitários abocanham vários prêmios em diversas categorias, que não vou detalhar aqui por que desconheço a maioria. Vocês devem estar se perguntando: o cara trabalha com isso, adora a criação, e não sabe quais são as categorias premiadas em Cannes? Pois é, não sei e dou a mínima para esse evento. Posso parecer arrogante, mas sinceramente, não enxergo qual a contribuição dessa premiação (a maior, dentre tantas outras) para o mercado publicitário brasileiro. Talvez seja a valorização do profissional, mas são poucos os que nos representam por lá. E será que são os melhores mesmo?

Temos autoridades da propaganda mundial julgando a propaganda mundial. Ótimo. Sabemos que o julgamento é de qualidade (até que se prove o contrário). Reúnem-se no mesmo local, diversas agências e profissionais do mundo inteiro para uma semana de muita festa. Os grandes executivos aproveitam para estreitar relações e fechar novos negócios. Outros aproveitam para cair na esbórnia mesmo. Além, é claro, de movimentar-se muito dinheiro.

Para o festival, muitas das peças que concorrem são fantasmas, como falou o Alessandro Ribeiro essa semana aqui na Casa do Galo. Eu questiono muito isso. Para que inscrever essas peças? Para afagar o ego inflado do criativo? A propaganda não ajudou ninguém a melhorar a sua imagem, a vender mais ou mesmo transmitir seus valores. Talvez somente a do publicitário. E que tempo se perde fazendo isso. As pessoas que trabalham nessa área reclamam tanto do tempo curto que têm para aproveitar a sua vida, pois trabalham muito. Será que deixando de criar peças para festivais, não poderiam curtir a vida só um pouquinho mais? Não sei dizer. Alguns gostam de morar nas agências mesmo.

O Nizan Guanaes (sempre ele!) falou** essa semana que sua agência, a África, não participa mais de festivais nem inscreve suas peças em Cannes, pois não é o propósito da agência, que é trazer o melhor resultado para os seus clientes. Certo ele! Volto a lembrar o movimento Propaganda com Guaraná, que lancei há algumas colunas atrás. Se os homens (e as mulheres) de frente da criação deixarem de se preocupar com as premiações e passarem a focar mais no resultado, teremos muito mais qualidade na propaganda.

Um abraço e até a semana que vem.

*Com a licença poética do site homônimo.

** Me desculpem, mas não consegui localizar a notícia. Recebi através da newsletter do Meio&Mensagem e acabei apagando antes da hora.